Se a China caminha para ser a potência hegemônica deste século, devemos esperar um novo paradigma de estado?
Durante a maior parte do século XX, o estado conduziu o desenvolvimento capitalista. No mundo capitalista como no socialista, coube ao estado a construção, a destruição e a reconstrução das forças produtivas e da sociedade.
No seu último quartel, o estado foi desincumbido dessa função. Havia se tornado um empecilho. Mas a história não foi bem assim. Enquanto era desmontado no ocidente, o estado irrompia a penúltima fronteira do desenvolvimento capitalista: a Ásia.
Na semana passada, governo chinês proibiu a compra e venda de ações, em face da conjuntura. Simples assim. Para evitar a continuidade da queda das ações, o estado fechou temporariamente o mercado. Tirou dos proprietários de papeis privados o “sagrado” direito de dispor deles livremente. Autoritarismo, intervencionismo ou o adjetivo que for, é o estado chinês em ação. E se o leitor achar que este exemplo é muito pequeno, que então pergunte-se honestamente: como a China está chegando à condição de primeira potência mundial? Será que isso é fruto da “mão invisível” de Adam Smith?
Se hoje não achamos imediatamente absurda a ideia de que o Mandarim possa vir a ser a língua do século XXI, porque não pensar que o estado chinês possa ser “o estado do século XXI”? Será este século curto o suficiente pra tornar esse estado chinês um empecilho ao desenvolvimento das forças produtivas? Talvez só a magnitude e o caráter das crises que virão poderão nos dizer, ou talvez a dinâmica evolutiva das forças produtivas, ou algo que as culturas orientais têm e que nós ocidentais nem fazemos ideia.
A primeira crise deste século trouxe o estado de novo à cena. De tal sorte que, ao menos, já sabemos que o estado neoliberal do último quarto do século passado foi barrado na festa do novo século.
Acho que teremos um tempo para observar.
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