terça-feira, 11 de agosto de 2015

Carga Tributária II

Falávamos sobre as limitações do indicador "carga tributária" no primeiro post, considerando o que representa, em termos absolutos, a aplicação desse percentual (carga tributária é expressa em termos percentuais) sobre a riqueza gerada em cada país que escolhemos para comparar (Brasil, Nova Zelândia, Estados Unidos e Alemanha).

Agora é a vez de introduzirmos o elemento populacional nesse debate. As populações de Brasil, Nova Zelândia, Estados Unidos e Alemanha diferem sensivelmente. Segundo o banco de dados do Banco Mundial, elas somavam, em 2012, respectivamente, 198,7 milhões, 4,4 milhões, 313,9 milhões e 80,4 milhões de pessoas.

Vejamos essas populações na perspectiva de usuários de serviços públicos. Podemos, numa brincadeira matemática simples, concluir que, em média, cada cidadão brasileiro dispõe de US$3,9 mil em serviços públicos; que um neozelandes dispõe de US$13,4 mil; e que um norte-americano e um alemão dispõem, respectivamente, de US$13,9 mil e US$17,9 mil (ALBERTO: 17,4!!!!!).



Quanta diferença, não? Então, podemos deduzir que, com a mesma carga tributária, um neozelandes tem à disposição um valor 3,5 maior do que um brasileiro, em serviços públicos. Ou, dito de outra forma, mas de modo mais caricatural, com a mesma carga tributária, o Estado neozelandês poderia oferecer serviços públicos a 3 brasileiros, pelos padrões tupiniquins! Os norte-americanos comparam-se quase que igualmente aos neozelandeses, mas, recorde-se o leitor: com uma carga tributária menor! Na comparação com os brasileiros, os norte-americanos pagam proporcionalmente menos e dispõem de um valor significativamente maior. Os alemães, por sua vez, situam-se num patamar muito mais elevado. Com uma carga tributária apenas 20% superior à dos brasileiros, os alemães dispõem de serviços públicos num montante quase 5 vezes maior do que nós outros.

Então, considerando as populações, a batida tecla da carga tributária elevada, como bandeira da causa da redução da participação do Estado na sociedade, num debate sério sobre o assunto, fica comprometida.

Para finalizar este post, deixo a seguinte pergunta: quem necessita mais de serviços públicos? Um brasileiro ou um alemão, um neozelandês ou norte-americano? Esse é o tema de um próximo post.

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